Muito bem! Já tinha decidido que não iria abordar a Operação SAR PT-IFS mas algumas matérias que foram publicadas e comentários maldosos que ouvi me obrigaram a rever esta posição... então, segue abaixo minhas impressões (completamente) pessoais!
Breve histórico do acidente
No dia 17 de maio o PT-IFS decolou as 20:51h com 04 pessoas a bordo para um treinamento em São José do Rio Preto e retorno a Piracicaba. Ao voltar, já próximo de seu destino, informou as 22:29h que estava visual com a cidade e prosseguia para pouso, sumindo do radar no instante seguinte... infelizmente, o pouso não ocorreu!
Para pousar de noite, antes de decolar o piloto chamou o responsável pelo acendimento do balizamento da pista e solicitou-lhe que ligasse o equipamento a partir das 22:00h. Como a aeronave não apareceu no horário, depois de passada mais de 1h do acordado, o responsável desligou o balizamento da pista e foi embora.
O desparecimento só foi notado na manhã seguinte e todos os recursos foram acionados. Estiveram engajados e coordenados pelo RCC Brasília 01 H-34, baseado no Rio de Janeiro-RJ, e 01 C-105 de Campo Grande-MS.
No processo de re-visualização das imagens captadas pelos radares momentos antes do desaparecimento, constatou-se que a aeronave havia realizado uma curva acentuada à direita e diminuído bruscamente de altura.
As buscas foram concentradas a partir desta última informação de posição e, as 13:03 a aeronave Águia da Polícia Militar. O local foi confirmado pelo C-105 e o H-34 conduziu resgateiros e militares do Corpo de Bombeiros até próximo da cena do sinistro, onde ficou constada a não existência de sobreviventes.
Perguntas e respostas
1) O responsável pelo acendimento do balizamento tinha responsabilidade formal de avisar alguém? Não. A norma vigente informa que a responsabilidade por informar o desparecimento de uma aeronave é de seu explorador. Como não havia ninguém mais no aeroporto, ninguém soube do desaparecimento até o dia seguinte.
2) Por que o ELT não funcionou? Por qualquer um dos motivos que o equipamento, muitas vezes, não funciona: quebra de antena, falha na emissão, falha na recepção, etc. Neste caso é importante ressaltar que o ELT estava em perfeito estado de manutenção e se encontrava registrado junto ao BRMCC. O fato de que o impacto ocorreu na encosta de uma cadeia montanhosa pode ter prejudicado a recepção do sinal pelos satélites, já que ele poderia estar “na sombra” da montanha.
3) O fato de a aeronave ter desaparecido do radar não seria suficiente para indicar que havia ocorrido um problema? Não. Toda vez que uma aeronave diminui sua altura, ela desaparece dos radares. Como ela estava se dirigindo para o pouso, o desaparecimento era esperado e foi considerado dentro da normalidade.
4) O que poderia ter sido feito para que o SAR fosse acionado mais cedo? Apenas o conhecimento e comprometimento de todos que estão envolvidos na atividade aérea podem fazer a diferença! Assim, eu pessoalmente acredito que se as pessoas que sabiam daquele voo tivessem um conhecimento maior dos riscos que o envolvem e da prontidão do Sistema SAR, alguém poderia ter colaborado para que a informação fluísse mais rapidamente.
5) Se o SAR fosse acionado logo após o desaparecimento haveria chances de sobrevida? Não. O local do acidente deixava bem evidente sua violência.
Bem, qualquer outro comentário questionando estrutura ou comprometimento de alguém é pura fofoca que, além de não contribuir para aumentar a segurança, ainda atrapalha o trabalho de pessoas sérias e comprometidas que estão engajadas há anos em um trabalho voluntário e apaixonado pela aviação!
Aos que trabalham por este ideal, o meu reconhecimento pessoal pela postura séria e profissional com que superaram mais este obstáculo!
Abraço a todos!